Quem desce de São Bento para a Sé, ou chega a pé pela Ponte Luiz I, conhece o lugar. De um lado, muros altos de granito. Do outro, terrenos à espera há décadas.

Hoje, o Município do Porto vota se o projeto de Álvaro Siza Vieira para a Avenida da Ponte vai a consulta pública. Segundo a agência Lusa, a proposta está na reunião pública do executivo municipal desta terça-feira. Se for aprovada, abre-se um período de 15 dias para os cidadãos se pronunciarem.

O que vai a votos

É uma operação de loteamento em parcelas municipais com 17 748 metros quadrados, entre a Estação de São Bento e a Ponte Luiz I. Prevê sete lotes, que somam 1 502 metros quadrados. Os restantes 16 246 metros quadrados passam para o domínio público. A construção não pode ultrapassar 4 441,93 metros quadrados.

São quatro edifícios. O primeiro é de habitação e inclui comércio e serviços virados para a Praceta de São Sebastião, onde ficava o mercado, entretanto demolido. O segundo, com dois volumes, remata o fim da Rua Chã.

O terceiro é um museu de quatro pisos, no arranque da avenida, junto à Praça de Almeida Garrett. Terá uma passagem inferior para a Rua do Corpo da Guarda. O quarto é um equipamento do domínio público.

Sobre a escarpa nasce um jardim, com acesso coberto a partir do lote 6 e um terraço-miradouro. Uma nova ligação vai unir a Avenida da Ponte à Rua de São Sebastião. Estão previstos 39 lugares de estacionamento. Os grandes muros de granito do lado poente, construídos nos anos 50, mantêm-se.

Um problema com quase um século

A Avenida da Ponte, oficialmente Avenida D. Afonso Henriques, foi aberta no final dos anos 40, com a demolição de várias casas. As parcelas municipais da zona foram compradas ou expropriadas entre os anos 30 e 60 do século passado. A Lusa descreve o local como "um território e um problema urbano adiados".

Siza Vieira já tinha desenhado propostas para este sítio em 1968 e em 2001. Nenhuma avançou. Esta é a terceira.

A versão atual foi apresentada em julho de 2025. Em março desse ano, a Porto Vivo SRU tinha contratado o arquiteto por 300 mil euros.

Quem vive e quem passa

Para os moradores da Sé e da Rua Chã, o desenho chega à porta de casa: um novo edifício no fim da rua, uma nova ligação viária, um jardim sobre a escarpa.

Para quem atravessa a pé entre São Bento e a Sé, todos os dias ou de passagem, o projeto acrescenta um jardim e um miradouro ao caminho.

Se a consulta pública abrir, é nesses 15 dias que a cidade pode dizer o que pensa.

Onde e quando:

  • Votação: reunião pública do executivo municipal, hoje, terça-feira, 20 de outubro. Segundo o regimento, as reuniões ordinárias começam, em regra, às 9h30.
  • Consulta pública: 15 dias, se a proposta for aprovada.
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