Serralves apresenta pela primeira vez no Porto uma das mais importantes coleções privadas de arte contemporânea da Europa

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Serralves apresenta pela primeira vez no Porto uma das mais importantes coleções privadas de arte contemporânea da Europa
Foto: Satvik - Unplash

O Museu de Arte Contemporânea de Serralves inaugurou a exposição Aflição de Espírito — A Coleção Duerckheim x Serralves, a primeira apresentação pública no Porto da coleção de arte contemporânea reunida ao longo de quatro décadas pelo colecionador alemão Christian Duerckheim. A mostra pode ser visitada até 1 de novembro e reúne cerca de 90 obras de 34 artistas internacionais, muitos deles inéditos na coleção permanente de Serralves.

A exposição estrutura-se em torno de temas como religião, guerra e sociedade, propondo uma reflexão sobre os conflitos políticos, as transformações históricas e as inquietações éticas que marcaram os últimos 70 anos. Com curadoria de Marta Moreira de Almeida, diretora-adjunta do museu, a mostra foi desenvolvida em articulação com o próprio colecionador e integra obras de artistas como Damien Hirst, Anselm Kiefer, Gerhard Richter, Georg Baselitz e Antony Gormley.

Entre as peças em destaque está Father (Divided), de Damien Hirst, uma instalação de 2011 composta por um touro preservado em formol e dividido em duas vitrinas atravessáveis pelo público. A exposição inclui ainda uma grande instalação de Anselm Kiefer inspirada no aeroporto de Tempelhof, em Berlim, bem como dezenas de desenhos e obras que abordam a memória da guerra, a violência política e os mecanismos de poder.

Segundo a Fundação de Serralves, esta é uma das mais relevantes coleções privadas de arte contemporânea da Europa e representa um momento de particular importância para o panorama artístico português, sobretudo pela integração de artistas até agora ausentes da coleção da instituição.

Coleção foi depositada em Serralves em 2024

Parte significativa da coleção Duerckheim foi colocada em depósito de longa duração na Fundação de Serralves em 2024, numa operação mediada pelo português Nuno Luzio. Na altura, o intermediário classificou a vinda da coleção para Portugal como um “dever patriótico”, sublinhando a relevância internacional do acervo para o país.

Nascido na Alemanha em 1944, Christian Duerckheim é reconhecido como um dos mais importantes colecionadores europeus de arte contemporânea. Ao longo de décadas, reuniu obras centradas em questões éticas, históricas e políticas, privilegiando artistas que exploram os impactos da guerra, da memória e da fragilidade humana.

A exposição foi concebida como um testemunho crítico sobre o percurso da sociedade contemporânea, cruzando referências religiosas, sociais e políticas com temas atuais como autoritarismo, desinformação e instabilidade global. O próprio título, Aflição de Espírito, inspira-se no livro bíblico de Eclesiastes e remete para uma ideia de inquietação existencial e consciência histórica.

Exposição reforça projeção internacional de Serralves

A chegada da coleção Duerckheim reforça o posicionamento internacional de Serralves no circuito europeu da arte contemporânea. A mostra inclui obras produzidas entre os anos 1990 e o início dos anos 2000, mas estabelece também pontes com desafios contemporâneos ligados às tensões geopolíticas, às redes sociais e à erosão do pensamento crítico.

A exposição pode ser visitada no Museu de Serralves até 1 de novembro de 2026.

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