Um em cada três estudantes do ensino superior ouvidos pela Federação Académica do Porto (FAP) admite ter pensado em não entrar ou em abandonar os estudos por razões económicas. O que mais pesa é a casa.

Os dados vêm de um inquérito a 275 estudantes da academia do Porto. As respostas foram recolhidas entre 16 de setembro e 6 de outubro, no arranque do ano letivo. A FAP divulgou os resultados a 15 de outubro.

A casa pesa mais do que tudo

Entre os novos estudantes que hesitaram em entrar, 89% apontam o custo da habitação como principal motivo. Entre os que pensaram desistir, a proporção é de 70%.

Os números do alojamento ajudam a perceber porquê. Dos estudantes que se candidataram a uma residência dos Serviços de Ação Social, 66% ficaram sem vaga e só 18% conseguiram lugar, segundo a FAP.

Entre os deslocados, 89% não recebem qualquer apoio ao alojamento. E 45% pagam rendas acima de 400 euros.

"Há estudantes colocados que ainda não sabem onde vão viver", afirmou o presidente da FAP, Francisco Porto Fernandes, citado pela agência Lusa.

Quem é o primeiro da família parte atrás

O inquérito olha em particular para os estudantes que são a primeira geração da família no ensino superior. São 37% dos participantes. Entre eles, 43% ponderaram não entrar ou sair. Nos restantes, a proporção desce para 26%.

A diferença começa antes da universidade. Mais de metade dos inquiridos (57%) teve explicações pagas no secundário. Só 4% tiveram apoio gratuito. Entre os alunos que precisaram de explicações e não as puderam pagar, 63% pensaram desistir.

"Quando mais de metade dos estudantes recorre a explicações pagas, quem não as pode pagar parte em desvantagem", afirma Francisco Porto Fernandes no comunicado da federação.

O aperto também se sente nas aulas. Entre os que já frequentavam o ensino superior, 36% admitem ter faltado a aulas, avaliações ou outras atividades por dificuldades financeiras. À data do inquérito, 40% dos participantes ainda esperavam pela decisão sobre a bolsa de estudo.

O que pede a federação

A FAP quer que o próximo Orçamento do Estado traga mais camas públicas, bolsas atribuídas a tempo e igualdade de condições no acesso. "Sem isso, o mérito continua a depender do código postal", disse o presidente da federação, segundo a Lusa.

Segundo a FAP, os resultados refletem a experiência dos estudantes que participaram. Dois terços já estudavam no superior no ano anterior. Oitenta por cento frequentam instituições públicas e 20% instituições privadas ou cooperativas.

Para dar uma ideia da escala, só a Universidade do Porto tem mais de 35 800 estudantes inscritos, segundo a própria instituição.

O estudo chega na semana em que a FAP recebe os novos estudantes. A Receção ao Caloiro decorre de 19 a 25 de outubro. O Cortejo da Latada, previsto para dia 25, foi adiado e ainda não tem nova data, segundo a federação.

Onde e quando:

  • Universidade do Porto, Serviços de Ação Social (SASUP): bolsas, Fundo de Apoio Social (com subsídios de emergência) e alojamento. Rua dos Bragas, 151. Tel. 222 005 435. up.pt/portal/pt/sasup/bolsas/apresentacao
  • Politécnico do Porto, Serviços de Ação Social: bolsas, alojamento e auxílio de emergência, que pode ser pedido em qualquer momento do ano letivo. Rua Dr. Roberto Frias, 712. Tel. 225 573 710. sas.ipp.pt
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