O Município do Porto suspendeu, a 13 de outubro, a adjudicação da obra na Rua de Guerra Junqueiro, com um preço-base de 1 115 000 euros. Os pais e moradores que contestavam o projeto aplaudem e pedem agora outra coisa: uma "rua de escola".
A rua liga a Avenida da Boavista à Rua do Campo Alegre. Ali funcionam o Colégio Alemão do Porto, a Escola Santa Maria, o Colégio Primeiros Passos, a creche Os Rabinos e a Escola Chapim Azul. Segundo o grupo que lançou a petição "Guerra Junqueiro Mais Alegre", são mais de mil as crianças que vivem a rua todos os dias.
O que foi travado
Segundo a GO Porto, o concurso foi lançado a 4 de março. A empreitada incluía também a Rua Monsenhor Fonseca Soares e tinha um prazo de 360 dias. Previa novos pavimentos e passeios, passeios pontualmente mais largos nos cruzamentos, travessias e estacionamento reorganizados, melhor acessibilidade e obras nas caldeiras das árvores.
Segundo a Lusa, o Município justificou a suspensão com "interesses muito contraditórios" sobre o futuro da rua. O limite de 30 km/h já está em vigor. O resto do desenho vai ser reavaliado.
Os interesses não coincidem. Em junho, um relatório de apoio à Assembleia Municipal, citado pela Lusa, concluiu que o perfil da rua "não tem capacidade para a implementação da ciclovia" sem tirar estacionamento, árvores ou passeio. Retirar o estacionamento de um dos lados eliminaria 60 lugares. Na zona, 283 moradores estavam em lista de espera por um dístico de residente.
O que pedem os pais
Segundo informações obtidas, a petição foi entregue na Assembleia Municipal a 8 de abril, com mais de 900 assinaturas. A 14 de outubro tinha mais de 1200, segundo os promotores citados pela Lusa.
Pede oito medidas:
- ciclovia bidirecional;
- radares de velocidade;
- passadeiras elevadas;
- sinalização adequada ao contexto escolar;
- zonas de "kiss and ride" para deixar e recolher crianças;
- paragens de autocarro acessíveis;
- preservação dos espaços verdes entre a Rua João Martins Branco e a Rua Feliciano Castilho;
- elementos lúdicos e mobiliário urbano.
Para Tiago Castela, porta-voz do grupo, o projeto suspenso "pouco mais previa do que dificultar o estacionamento ilegal nas passadeiras", lê-se num comunicado citado pela Lusa. O objetivo não é "retirar a circulação de automóveis", mas "reequilibrar" a rua. Chamou à ciclovia "absolutamente essencial".
"Propomos uma rua em que o carro não é priorizado", segundo Ana Rosbach, representante do Colégio Alemão. A proposta alternativa, desenhada pelo gabinete horizonte, tira espaço aos carros e acrescenta área pedonal, verde e de convívio.
Há também quem lembre a velocidade. Ana Guerra, da associação MUBi e mãe de uma aluna de uma das escolas, diz que faltam medidas de acalmia de tráfego, porque fora das horas de ponta a rua continua a convidar à velocidade.
O que acontece agora
O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, em consulta pública à data da suspensão, prevê para a zona da Boavista a rede 30 e filtros ao trânsito de atravessamento. Prevê também um troço de ciclovia na Guerra Junqueiro, que o projeto suspenso não tinha. Para o grupo, a pausa evita fazer a obra agora e voltar a abrir a rua mais tarde.
O Município diz que vai reavaliar o projeto e ouvir as partes, incluindo os promotores da petição. Não há calendário.
Os pais querem que a conversa inclua direções de escolas, associações de pais, comércio, paróquia e sinagoga. E pedem um programa municipal de ruas escolares, com calendário, orçamento e metas, a começar pela Guerra Junqueiro.