A Associação de Moradores da Lomba, em Campanhã, recebe na sexta-feira, 18 de setembro, às 21h00, a apresentação final do Trilha, um projeto que transformou em música os percursos das crianças do bairro, o que elas gostariam de lá ter e as memórias dos adultos e dos mais velhos sobre o que desapareceu. A entrada é gratuita, para maiores de 6 anos, na Rua de Vera Cruz, 24A.

A sessão dura cerca de hora e meia e tem três momentos. Primeiro, um mini-documentário que acompanha o processo, desde a saída sonora pelo bairro até ao encontro entre gerações. Depois, a estreia da composição musical final, que sobrepõe três camadas de tempo da Lomba: os percursos reais das crianças, os elementos imaginados que gostariam de ver no bairro e as memórias dos adultos e seniores sobre o que já não existe. Durante toda a sessão, a instalação fica em modo aberto: quem entrar pode desenhar o seu próprio percurso e ouvi-lo transformar-se em som, em tempo real.

O Trilha chama-se, por extenso, Cartografia Sonora Coletiva da Lomba, e foi feito com quem lá vive. Participaram crianças do 1.º ciclo que frequentam o ATL Entre Ruas e a comunidade adulta e sénior do bairro. A conceção artística é de David Negrão e Júlia Reis S., que também coordena e produz; David Negrão desenhou e montou a instalação; a fotografia e o vídeo são de Emília Simão e Bruno Mesquita. A entidade promotora e de acolhimento é a própria Associação de Moradores da Lomba (AMLomba), com o ObEMMA, o Observatório de Música Eletrónica e Media Art em Portugal, como parceiro. O projeto integra a edição de 2026 do Cultura em Expansão.

Não é um espetáculo para ver de fora. Cada participante recebe um postal com o mapa coletivo impresso e um código QR que dá acesso à música. O resultado do projeto fica também disponível no arquivo online do ObEMMA, o que significa que a Lomba passa a ter um registo sonoro do bairro feito pelos próprios moradores, consultável depois de a sessão acabar.

O que distingue esta apresentação de um concerto é o ponto de partida. Antes de haver música, houve crianças a caminhar pelo bairro a ouvir e a desenhar os caminhos que fazem todos os dias, e houve moradores mais velhos a contar o que existia onde hoje já não existe nada. A composição é a tradução disso em som. É cultura feita num bairro de Campanhã que raramente aparece na agenda cultural da cidade, e não uma agenda que desce ao bairro por uma noite.

Serviço: sexta-feira, 18 de setembro, 21h00, Associação de Moradores da Lomba, Rua de Vera Cruz, 24A, Porto. Duração 1h30. Maiores de 6. Entrada gratuita. A página oficial do programa não refere inscrição nem lotação; quem quiser garantir lugar deve confirmar junto da AMLomba ou do Cultura em Expansão (culturaemexpansao@agoraporto.pt).

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