A Câmara do Porto decidiu abater com urgência 19 das 56 árvores da Avenida dos Aliados, depois de uma avaliação técnica ter encontrado lenho morto, podridões, cavidades e risco de rutura. A decisão foi anunciada a 8 de setembro, na reunião pública do executivo, três semanas depois de uma árvore ter caído na avenida e ferido três pessoas. Ao mesmo tempo, o município está a avaliar as 225 árvores existentes nas escolas sob a sua gestão, com conclusão prevista até ao fim de outubro.
Quem passa pelos Aliados vai ver a avenida mudar. A vereadora Catarina Araújo, que tem os pelouros do Espaço Público e do Ambiente, disse aos restantes vereadores que a operação de abate começaria ainda na semana de 8 de setembro. As 19 árvores são bordos das variedades Acer platanoides 'Deborah' e 'Crimson King'. Segundo a nota enviada pela Câmara às redações, os serviços concluíram que podar ou cortar pernadas não bastaria para as manter em segurança e poderia até agravar o desequilíbrio estrutural.
A avaliação extraordinária foi pedida depois de 16 de agosto, o domingo em que uma árvore de grande porte caiu nos Aliados ao fim da tarde, com milhares de pessoas na avenida por causa da chegada da Volta a Portugal em Bicicleta. Três pessoas ficaram com ferimentos ligeiros. Os técnicos examinaram os 56 exemplares e encontraram nos 19 condenados desenvolvimento vegetativo pouco satisfatório, copas reduzidas e podridão nas pernadas e na zona do colo.
As outras 37 árvores ficam, por agora, sob monitorização regular, mas também têm os dias contados: a Câmara promete uma renovação progressiva de todo o arvoredo da avenida num prazo máximo de dois anos, incluindo a reposição de árvores nas 15 caldeiras que estão vazias por causa de exemplares removidos no passado. A espécie escolhida para a substituição é o carvalho-escarlate (Quercus coccinea), que a autarquia descreve como mais resistente às condições urbanas e mais capaz de formar copas amplas e equilibradas.
A parte que interessa às famílias está fora dos Aliados. A vereadora anunciou uma monitorização excecional ao património arbóreo das escolas sob responsabilidade do município, ao todo 225 árvores, segundo as declarações citadas pela Lusa. A avaliação já está a decorrer e a Câmara espera tê-la concluída até ao fim de outubro. Não foi divulgada a lista das escolas abrangidas, nem se haverá abates ou intervenções antes de outubro, nem como serão informados os pais e as direções. Segundo o JPN, o presidente da Câmara, Pedro Duarte, referiu que no mesmo dia 16 de agosto caiu uma árvore numa escola do Carvalhido.
Catarina Araújo procurou afastar a ideia de que as quedas estejam a aumentar: os registos municipais apontam para 132 quedas de árvores ou ramos em 2023, 100 em 2024, 86 em 2025 e 45 até ao fim de agosto de 2026. Só este ano, os serviços fizeram 838 abates e 360 podas. A vereadora disse ainda que extrapolar a situação dos Aliados para toda a cidade, que tem mais de 70 mil árvores, seria exagerado, porque o problema da avenida está ligado a espécies pouco adequadas ao local. O vereador do PS Jorge Garcia Pereira levantou outra questão prática: as caldeiras das árvores, que considera subdimensionadas em toda a cidade.
Para quem tem filhos numa escola municipal, o que há a fazer é simples: perguntar à direção do agrupamento se a escola foi avaliada e com que resultado. A Câmara não indicou, até agora, um canal próprio para essa informação. O Momento do Porto vai acompanhar a conclusão da avaliação em outubro e o calendário das plantações nos Aliados.