A 31 de outubro de 1886, o Porto inaugurou o tabuleiro superior de uma ponte de ferro que vinha substituir a Ponte Pênsil, em serviço desde 1843 e já pequena para o movimento entre as duas margens. No dia seguinte, 1 de novembro, começou a cobrar-se portagem: cinco réis por peão. A cobrança só acabou a 1 de janeiro de 1944. No sábado passado, a Ponte Luís I fez 140 anos.

Um concurso, um belga e 3.045 toneladas

O processo arrancou em 1879, com uma proposta de lei que mandou abrir concurso para "uma ponte metálica sobre o rio Douro" que substituísse a pênsil. O concurso impôs dois tabuleiros. Entre os concorrentes, ganhou a Société de Willebroeck, de Bruxelas, com um projeto do engenheiro Théophile Seyrig, antigo sócio de Gustave Eiffel e coautor da vizinha Ponte Maria Pia. A adjudicação foi a 21 de novembro de 1881 e a construção começou nesse ano.

A estrutura tem 395 metros de comprimento e oito de largura. O tabuleiro superior desenvolve-se ao longo de cerca de 391 metros; o inferior, com cerca de 174 metros, só ficou concluído em 1888. O arco mede 172 metros de vão. Tudo somado, pesa 3.045 toneladas.

A irmã mais velha, um pouco mais acima

A Luís I não foi a primeira ponte de ferro do Douro. Nove anos antes, a 4 de novembro de 1877, tinha sido inaugurada, a montante, a Ponte Maria Pia, para o comboio. Desenhada pela casa de Gustave Eiffel, com Seyrig na equipa, tinha na altura o maior arco em ferro do mundo, com 160 metros. É Monumento Nacional. Fechou a 24 de junho de 1991, quando a Ponte de São João a substituiu, e desde então está parada, à espera de um uso. Faz 149 anos esta quarta-feira. Voltaremos a ela.

De ponte de carros a ponte de metro

A ponte foi-se adaptando ao que a cidade precisava. Desde 2005, o tabuleiro superior é do Metro do Porto, que liga a Sé ao Jardim do Morro e à Avenida da República, em Gaia, com passeios para peões de cada lado. O tabuleiro inferior ficou para carros, transportes públicos, táxis, bicicletas e peões.

Entre 2021 e 2023, a Infraestruturas de Portugal reabilitou o tabuleiro inferior: reparou corrosão, substituiu rebites, aparelhos de apoio e juntas de dilatação, construiu um novo tabuleiro e reforçou a estrutura. A obra eliminou a limitação de 30 toneladas por veículo, que passou a 60, e reduziu as vibrações provocadas pela passagem de multidões em dias de festa.

Classificada, mundial, cheia

A Ponte Luís I e os dois pilares que restam da Ponte Pênsil estão classificados como Imóvel de Interesse Público desde 1982. Desde 1996, a ponte integra, com o Centro Histórico e o Mosteiro da Serra do Pilar, a área inscrita pela UNESCO como Património Mundial.

Aos 140 anos, nunca teve tanta vida. No tabuleiro de cima, o metro abranda ao passar entre a multidão. Em baixo, a circulação automóvel foi sendo restringida. Quem atravessa hoje, de uma margem à outra, já não paga cinco réis. Paga com o tempo que demora a passar entre os turistas.

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