A obra que redesenha a Praça Pedro Nunes, o Largo do Priorado e as ruas à volta começou a 9 de dezembro e tem 540 dias para acabar. A meio do caminho, uma petição criada a 2 de outubro pede que o projeto seja revisto: menos solo impermeável, mais árvores e sombra, bancos e bebedouros, um parque infantil e, sobretudo, o centro da praça devolvido aos peões. No sábado à noite tinha 554 assinaturas.

Como nasceu

Segundo o Público, tudo começou quando o Município instalou na praça um painel com a imagem em 3D do resultado final. Pais e encarregados de educação da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e do Conservatório de Música do Porto olharam para a projeção, trocaram mensagens e perceberam que a praça ia continuar a ser atravessada por carros. No início de outubro organizaram-se e lançaram a petição "Por uma Praça Pedro Nunes para as Pessoas", dirigida à Assembleia Municipal e ao Município.

Entre os primeiros subscritores estão dirigentes da associação de pais do Conservatório, professores universitários, arquitetos, uma arquiteta paisagista, artistas e uma dirigente da MUBi, a associação pela mobilidade em bicicleta. A petição deixa claro que assinam a título individual.

O que pedem

O texto saúda a obra, mas quer mais. Quatro pedidos concretos: reduzir o solo impermeável, com pavimentos drenantes e árvores que façam sombra a sério; mobiliário para estar, bancos, iluminação, papeleiras, bebedouros; um pequeno parque infantil e, eventualmente, um café ou quiosque; e a reorganização do trânsito para que a zona central da praça deixe de ser atravessada por carros. Os autores criaram um site onde comparam o projeto atual com a praça que imaginam.

O argumento central é o lugar. A petição lembra que a praça e o Largo do Priorado são o centro de Cedofeita e que à volta há quatro escolas, a EB1/JI da Torrinha e o agrupamento Rodrigues de Freitas, o Conservatório de Música e a Carolina Michaelis, além de comércio e dos percursos que milhares de pessoas fazem todos os dias. "Uma praça não deve ser apenas um ponto de passagem", lê-se no texto.

O que a obra prevê

O projeto da GO Porto, adjudicado por 2,29 milhões de euros, renova os pavimentos das ruas de Ricardo Severo, Joaquim Vasconcelos e São Martinho, redesenha a praça e o largo, reorganiza o estacionamento, instala mobiliário novo e travessias acessíveis, planta árvores, reorganiza os jardins e aumenta as áreas permeáveis, segundo a empresa municipal. A praça ganha um desenho novo em pedra, alinhado com o que já existe em frente à escola. A obra mexe ainda na iluminação, nas redes de água e drenagem e põe contentores enterrados. Conclusão prevista: meados de 2027.

Ou seja, parte do que a petição pede já está no papel. A diferença está na dose, mais sombra do que a prevista, e numa escolha de fundo: os carros continuam ou não a atravessar o centro da praça.

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