A partir de terça-feira, 6 de outubro, uma fatia inteira da cidade entre a Rotunda da Boavista e Cedofeita passa a ter limite de 30 quilómetros por hora. É a segunda mancha da chamada Rede 30 no Porto, anunciada pelo Município na sexta-feira, e abrange as zonas da Boavista, da Lapa e de Cedofeita. A sinalização vertical e horizontal é colocada no próprio dia.
O quadrilátero é este: a norte, a Rua de Damião de Góis; a poente, a Avenida de França e a Rua de Gonçalo Sampaio; a sul, as ruas do Campo Alegre, da Torrinha e da Boavista; a nascente, as ruas de Antero de Quental, da Lapa e de Cedofeita. Quem vive ou trabalha dentro destes limites, ou os atravessa todos os dias para ir ao Hospital de Santo António, à Lapa, ao Carmo ou à Boavista, passa a andar a 30 em todas as ruas interiores.
A primeira mancha ficou do outro lado da Rotunda, a poente, em agosto: Pinheiro Manso, Foco e Bessa a norte, Serralves e Campo Alegre a sul. O Momento do Porto deu conta dessa primeira fase a 14 de agosto. A nova mancha é, na prática, a continuação para o lado da Baixa, e as duas juntas desenham um corredor de velocidade reduzida de Serralves a Cedofeita.
O argumento do Município é o de sempre nestas medidas: a redução da velocidade diminui o número e a gravidade dos acidentes, o ruído e as emissões, sobretudo em zonas residenciais, comerciais e escolares, e tem sido testada noutras cidades com resultados conhecidos. O que a nota municipal não dá são números do Porto: não há, para já, balanço público da primeira mancha, nem contagens de acidentes ou de velocidades antes e depois. A Rede 30 faz parte do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que está em consulta pública até 4 de novembro, e é nesse plano que o Município diz querer generalizar a acalmia de tráfego na cidade.
Para quem conduz, a dúvida prática é a de sempre: a 30 km/h demora-se mais? Em ruas curtas, com semáforos, cruzamentos e estacionamento de ambos os lados, como a maior parte das que estão dentro deste quadrilátero, a velocidade média real raramente passa dos 30 nas horas de maior movimento; a diferença sente-se de noite e nas retas mais largas. Para quem anda a pé ou de bicicleta, e para quem tem filhos nas escolas da zona, a diferença é a outra: um peão atropelado a 30 tem muito mais probabilidades de sobreviver do que a 50. É esta a troca que a cidade faz a partir de terça.
Onde e quando: limite de 30 km/h a partir de 6 de outubro em todas as ruas dentro do perímetro Damião de Góis / Avenida de França e Gonçalo Sampaio / Campo Alegre, Torrinha e Boavista / Antero de Quental, Lapa e Cedofeita, com sinalização no local. Quem quiser pronunciar-se sobre a Rede 30 e o resto do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável tem até 4 de novembro, na consulta pública do Município.