U.Porto e ISPUP mapeiam como o bairro onde vive influencia a sua saúde

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U.Porto e ISPUP mapeiam como o bairro onde vive influencia a sua saúde
Foto: Gonbiana / Pixabay

Investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) revelam que o código postal no Grande Porto pode ser um indicador de risco tão determinante como a genética, expondo assimetrias no acesso a cuidados e na esperança de vida.

O acesso à saúde no Norte de Portugal não é uniforme e a geografia local desempenha um papel crítico. Um conjunto de estudos liderados pelo ISPUP e pela Universidade do Porto está a analisar as desigualdades territoriais, freguesia a freguesia, para identificar as chamadas "barreiras invisíveis" que impedem os cidadãos de obter cuidados de saúde equitativos.

O impacto do território na saúde

Segundo os dados da investigação coordenada pela Doutora Sílvia Fraga, as condições socioeconómicas do bairro — como o nível de escolaridade médio, a taxa de desemprego e a qualidade do edificado — têm um impacto direto na incidência de doenças crónicas e na saúde mental.

O estudo destaca que, em áreas com maior privação social na Área Metropolitana do Porto, os cidadãos enfrentam:

  • Dificuldades de mobilidade: A distância física e a escassez de transportes públicos diretos para centros hospitalares.
  • Literacia em saúde: Menor facilidade na navegação burocrática e digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
  • Ambiente urbano: Falta de espaços verdes e maior exposição a poluição em zonas mais densas e desfavorecidas.

Evidência científica: Da infância à idade adulta

Esta análise baseia-se em projetos de longa duração, como a coorte Geração XXI, que desde 2005 acompanha milhares de crianças nascidas no Grande Porto. Os resultados publicados mostram que as desigualdades no acesso a uma nutrição adequada e a cuidados preventivos começam logo nos primeiros anos de vida, dependendo da freguesia de residência.

Mais recentemente, o projeto de georreferenciação permitiu criar mapas de risco que ajudam a perceber por que razão certas doenças, como a diabetes ou a hipertensão, são mais prevalentes em determinadas zonas da cidade e periferia do que em outras.

Soluções baseadas em dados

O objetivo final desta monitorização rigorosa é apoiar as autarquias e as administrações de saúde na implementação de unidades de proximidade. Ao identificar exatamente onde o sistema falha, o ISPUP pretende que as políticas públicas deixem de ser genéricas e passem a ser desenhadas à medida das necessidades de cada comunidade local.

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