Terça-feira, 22 de setembro, é o Dia Europeu Sem Carros, o fecho da Semana Europeia da Mobilidade em que mais de 2500 cidades experimentam ruas sem trânsito. O Porto não anunciou qualquer programa: a Eco Agenda do Município regista a semana apenas como efeméride, sem atividades, e o município não aparece entre os aderentes conhecidos. A cidade tem, no entanto, uma medida nova a andar: desde sábado, 19 de setembro, a Avenida de D. Carlos I, na Foz, fica fechada ao trânsito todos os sábados e domingos, entre as 9h00 e as 19h00, sem data de término definida.

O que aconteceu na Foz no fim de semana chama-se Porto na Praça, e é a extensão de um modelo que já funciona na Praça da Batalha. Segundo a nota publicada pelo Município a 13 de setembro, a circulação automóvel na Avenida de D. Carlos I fica condicionada aos fins de semana para criar uma zona pedonal temporária, com prioridade a quem anda a pé e de bicicleta, junto ao Jardim do Passeio Alegre. A nota diz que não está definida uma data de fim e que a iniciativa se prolonga pelos fins de semana seguintes enquanto o município mede os resultados, tal como na Batalha. Ou seja, não é um evento: é uma regra nova de fim de semana, até nova ordem.

No primeiro fim de semana houve programa para encher a avenida: passeios de bicicleta elétrica gratuitos pelo jardim das 9h00 às 16h00, o Minigolfe da Foz, fundado em 1973, aberto das 10h00 às 18h00, visitas guiadas ao Passeio Alegre com inscrição, a Late Jazz Band ao fim da tarde e, no domingo, o Mercado da Alegria com bancas de artesãos. A partir de agora, o Município não anunciou programação fixa para os fins de semana seguintes; o que fica é o condicionamento do trânsito.

Para quem vive ou trabalha na zona, a pergunta prática é o que acontece ao estacionamento e aos acessos entre as 9h00 e as 19h00. A nota municipal fala em circulação condicionada, não em corte total, e não detalha exceções para moradores, cargas e descargas ou acesso aos restaurantes. O Momento do Porto não encontrou, nos canais públicos do município, um mapa dos desvios nem a lista de exceções. Quem depender de carro na Foz ao fim de semana deve contar com desvios até haver informação oficial mais precisa.

É neste contexto que chega o Dia Europeu Sem Carros. A campanha europeia decorre de 16 a 22 de setembro, este ano com o tema da mobilidade para todos e da justiça entre gerações, e é coordenada em Portugal pela Agência Portuguesa do Ambiente; os municípios podiam aderir até 15 de setembro. Na Maia, o programa durou os sete dias, com o mote de que o dia sem carro dura uma semana, e culmina hoje com iniciativas no espaço público. Em Aveiro, a avenida principal fecha ao trânsito para uma atividade de bicicleta para crianças e famílias, segundo a organização europeia da campanha. No Porto, a Eco Agenda do município, a plataforma onde o Município publica as suas atividades ambientais, tem a Semana Europeia da Mobilidade registada entre 16 e 22 de setembro apenas como efeméride, sem descrição nem atividades.

O contraste é o que fica. O Porto tem esta semana, na prática, a maior experiência de rua sem carros que a cidade fez nos últimos tempos, mas fê-la fora do calendário europeu e sem lhe chamar isso. Se a D. Carlos I funcionar, o Município diz que pode alargar a iniciativa a outros dias da semana; se não funcionar, a avaliação também é pública. É esse resultado, e não o dia de hoje, que vai dizer se o Porto entra ou não no mapa das cidades que fecham ruas.

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