A Esquadra da Corujeira, em Campanhã, deixou o edifício da Rua de São Roque da Lameira. Desde o verão, a esquadra e os serviços da 3.ª Divisão do Comando Metropolitano do Porto funcionam em estruturas modulares a cerca de 500 metros, na Rua Dr. Maurício Esteves Pereira Pinto, frente ao n.º 53. A PSP anunciou a mudança em junho, com transferência até 30 de junho e correspondência para a nova morada a partir de 1 de julho. Os telefones e os emails mantêm-se.
O edifício antigo vai ser demolido. A razão é a obra do antigo Matadouro Industrial, cujo desenho obrigou a libertar o terreno da esquadra para a futura praça principal do complexo. A esquadra definitiva fica no próprio Matadouro, no chamado Edifício K, com 1 331 metros quadrados. Segundo conseguimos apurar, o Município do Porto arrenda esse espaço ao Estado por 17 702,30 euros mensais, durante 30 anos renováveis.
Um calendário que foi escorregando
Em maio de 2025, o Município apontava maio de 2026 para a conclusão da nova esquadra. Só a 20 de agosto de 2026 a GO Porto, empresa municipal, lançou o concurso para a obra de adaptação do Edifício K: preço base de 1,81 milhões de euros e prazo máximo de 240 dias, com propostas até 18 de setembro. O piso 0 terá o atendimento ao público; o piso 1, arrecadações e vestiários do comando, da área operacional e administrativa, da esquadra territorial e da esquadra de intervenção e fiscalização.
Entretanto, a entrega do Matadouro passou para o fim de 2026, com abertura progressiva ao longo de 2027. A PSP já tinha dito que só muda quando as obras estiverem concluídas, sem adiantar data. Feitas as contas, Campanhã terá a esquadra em contentores pelo menos até 2027.
Segundo relatos de moradores publicados nas redes sociais, os trabalhos de demolição do edifício antigo terão começado esta semana. O Momento do Porto não obteve confirmação oficial. Nos mesmos comentários repete-se o receio de que a esquadra feche de vez e a pena pela perda de uma parte do antigo Matadouro.
Menos esquadras, mais concentração
O receio tem história. Em 2020, as esquadras das Antas e do Lagarteiro encerraram e os meios passaram para a Corujeira. Em março deste ano, o atendimento ao público na esquadra de Cedofeita esteve fechado durante dias; a PSP negou qualquer encerramento e explicou que os serviços da 1.ª Divisão tinham mudado para lá por degradação do edifício Rainha Santa Isabel, no Bonfim. Em setembro, questionado sobre fechos de esquadras na periferia, o Comando Metropolitano disse não ter informação sobre qualquer previsão de encerramento.
Está a melhorar ou a piorar? Depende do que se mede
Os dados provisórios da PSP para 2026, divulgados em agosto, mostram na área do Comando Metropolitano do Porto, que é bem mais ampla do que a cidade, uma subida de 10,9% na criminalidade geral e uma descida de 8,4% na criminalidade violenta e grave. Em Lisboa, no mesmo período, foram +2,9% e −0,4%. As maiores subidas no Porto foram nos furtos por carteiristas, nos furtos em veículos e na desobediência. No primeiro semestre, o Comando registou 2 110 furtos de veículos e 1 233 furtos por carteiristas.
O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025 aponta no mesmo sentido para o distrito do Porto: 57 453 crimes registados, mais 4%, e 2 103 crimes violentos, menos 8,4%. Por concelho, o Porto somou 16 440 participações, quase o dobro de Vila Nova de Gaia (8 435). Matosinhos teve 5 655.
Por residente, segundo o INE, o concelho do Porto registou em 2025 cerca de 59,9 crimes por mil habitantes, valor provisório, acima de Lisboa (49,6), de Matosinhos (31,1), de Gaia (26,2) e da média nacional (32,1). Em 2024 eram 56,6. O número é, ainda assim, inferior ao de 2011 (67,5). A taxa por residente não conta quem trabalha ou visita a cidade sem nela morar, o que pesa nas cidades-centro.
E Campanhã? Não existem dados públicos de criminalidade por freguesia. O Plano Especial de Intervenção e Segurança lançado em setembro pelo Município e pela PSP abrange a Pasteleira, o Fluvial e o Aleixo, não a zona oriental.