No sábado, 19 de setembro, às 10h00, um grupo de moradores das imediações da Estação de Campanhã guia uma caminhada de duas horas ao longo das linhas de comboio antigas, atuais e futuras que atravessam o bairro. Segundo o projeto que a organiza, a construção da linha de alta velocidade Porto–Lisboa ditou a demolição de cerca de 40 casas na zona. A caminhada é gratuita, para maiores de 12 anos, e exige inscrição por formulário.

O ponto de encontro é a Escola Profissional de Campanhã, na Rua Pinheiro de Campanhã, 468. Dali, o grupo segue pela antiga Linha da Alfândega, pela atual Linha do Norte e pelo traçado da futura Linha de Alta Velocidade, na companhia de moradores que o projeto descreve como afetados pelas demolições. Pelo caminho, são eles que falam: memórias, preocupações e desejos, histórias de vida e de vizinhança ligadas à ferrovia. A caminhada termina na galeria MIRA artes performativas, onde a equipa partilha o processo de pesquisa e documentação que está a fazer.

A iniciativa chama-se 'Entre o Luto e a Luta' e não é uma visita turística. É uma peça de um projeto de documentação participativa de lugares que, nas palavras da própria equipa, em breve deixarão de existir. O objetivo central é construir, com os habitantes, uma publicação impressa que guarde a memória destes sítios e registe o que o projeto chama os processos de luto e de luta que estas pessoas atravessam. A base é o registo fotográfico, a recolha das histórias e inquietações dos moradores e a investigação sobre a história dos lugares. O projeto sublinha que as demolições deixam um conjunto de pessoas perante um futuro incerto, num momento em que encontrar casa a preço acessível se tornou um problema na cidade.

A conceção, a fotografia e a recolha de testemunhos são de Ana Miriam Rebelo. José António Pinto faz a mediação e recolha de testemunhos; o design e a comunicação são de Cristina Braga; Marta Sousa dá apoio técnico em matéria de habitação; a consultoria científica é do ID+, o Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura, e a consultoria artística de Tânia Dinis. As parcerias são o ID+, as Galerias MIRA e a Associação Cultural Tenda de Saias; os apoios vêm da Junta de Freguesia de Campanhã e do Centro de Estudos Nuno Portas. A caminhada integra a edição de 2026 do Cultura em Expansão.

O que esta notícia não pode dizer, porque nenhuma fonte oficial o disse ainda, é quantas casas vão efetivamente ao chão, quando, e o que acontece a quem lá vive. O número de cerca de 40 casas é do projeto; não há, até agora, confirmação pública da Infraestruturas de Portugal nem da Câmara do Porto, e não há calendário de demolições divulgado. O que há é um grupo de moradores disponível para mostrar, a quem quiser ir, o que está em causa antes de deixar de existir.

Serviço: sábado, 19 de setembro, 10h00, ponto de encontro na Escola Profissional de Campanhã (Rua Pinheiro de Campanhã, 468). Duração de duas horas, a pé. Maiores de 12. Gratuita. Inscrição obrigatória através do formulário disponível na página do Cultura em Expansão; as vagas dependem da organização. Contacto: culturaemexpansao@agoraporto.pt.

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