Um morador do Fluvial há mais de 50 anos disse esta semana, à Lusa, em nome de uma associação de moradores, que a zona está cada vez pior: mais lixo, mais pessoas a consumir na rua, e um centro de pernoita que foi abrindo aos poucos e não resolveu nada. Disse-o no dia em que se soube que tinha começado um plano conjunto para a Pasteleira, o Fluvial e o Aleixo, com polícia, ação social, saúde, limpeza e obras no espaço público. A reação dele resume a dos vizinhos: céticos. Já viram mais polícias municipais na rua, mas sabem que a Polícia Municipal não tem autoridade para retirar ninguém de lá. Entre o que se prevê fazer e o que se sente na rua, há uma distância que só quem lá mora pode medir.

O que está previsto, segundo o que foi tornado público na sexta-feira, 18 de setembro: as três zonas, contíguas, passam a ser tratadas como prioridade, com intervenções conjuntas da PSP, da Polícia Municipal, dos serviços municipais de coesão social e saúde, da Porto Ambiente e dos serviços dos espaços verdes e infraestruturas. Os problemas identificados são acampamentos improvisados, acumulação de lixo, degradação do espaço público e situações de vulnerabilidade social e de saúde. Depois de cada intervenção, promete-se acompanhamento, avaliação regular e o encaminhamento do que faltar: iluminação, limpeza, manutenção. A eficácia, diz-se, mede-se pela evolução das ocupações e da degradação e também pelas respostas sociais e de saúde dadas às pessoas.

O que os moradores dizem: que o problema é antigo, que o lixo aumentou, que há mais consumo à vista de todos e que as respostas chegam devagar. O exemplo que dão é o centro de pernoita, que abriu por fases ao longo desta semana. Reconhecem que há mais polícia municipal a passar, mas apontam o limite: a Polícia Municipal não pode retirar pessoas da rua, e por isso a presença, só por si, muda pouco. Não dizem que nada se faz; dizem que não chega, e que já ouviram promessas parecidas.

Há uma terceira imagem destes bairros, feita por quem não vive neles. No TikTok, um canal internacional que se apresenta como o primeiro casal do mundo a viajar pelos lugares mais perigosos publicou, entre março e abril, vídeos filmados na Pasteleira e no Aleixo, e também no Cerco, em Campanhã, com títulos em inglês que os apresentam como 'hoods'. Somam milhares de gostos e continuam a circular. Para quem lá mora, é o retrato que os outros fazem deles em meia tarde. O Momento do Porto não reproduz esses vídeos, porque, inclusive, um deles tem uma criança em destaque.

O que ainda não se sabe: quantas pessoas vivem nos acampamentos referidos, o que lhes acontece quando a intervenção chega, quantos agentes estão envolvidos e por quanto tempo. Não há números públicos. Há uma promessa de avaliação regular e há moradores que dizem que vão estar a ver.

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