A medida criada para afastar pesados da principal via do Porto ainda não trouxe menos trânsito a quem a usa todos os dias. Os dados divulgados apontam para uma subida de 3,2%, e a mudança mais restritiva só chega em setembro.
A promessa era simples: retirar parte dos camiões da Via de Cintura Interna (VCI), tornando gratuita a alternativa da A41 para os pesados. Mas o primeiro retrato conhecido depois da suspensão de portagens, iniciada em março, não mostra o alívio esperado para quem atravessa diariamente o Porto.
Dados avançados pelo Jornal de Notícias e citados por outros meios indicam que o tráfego na VCI aumentou 3,2%. O número não permite concluir que a isenção na A41 causou o aumento, mas é suficiente para mostrar que a medida, por si só, não reduziu o volume total registado na via no período analisado. Para o condutor que entra na VCI de manhã ou ao fim da tarde, a consequência prática é clara: a alternativa sem portagem ainda não se traduziu numa circulação visivelmente mais
livre na principal cintura rodoviária da cidade. A explicação continuará em aberto enquanto não forem divulgados dados detalhados que distingam pesados de ligeiros e permitam comparar períodos equivalentes.
A próxima mudança chega a 15 de setembro. A partir dessa data, o Decreto-Lei n.º 155-A/2026 estabelece restrições à circulação de determinados veículos pesados de mercadorias na VCI, nos dias úteis, entre as 07h00 e as 21h00, com exceções para operações de carga e descarga no Porto e em Vila Nova de Gaia, mediante habilitação prévia. Até lá, a A41 continuará sem portagem para os pesados abrangidos pelo regime. O verdadeiro teste para os utilizadores da VCI será perceber se a combinação entre a alternativa exterior e a nova restrição consegue finalmente reduzir as filas onde elas mais pesam: no quotidiano de quem trabalha, estuda ou atravessa a cidade.