Desde domingo, 27 de setembro, quem entra num comboio urbano da CP no Porto pode fazê-lo com o Passe Ferroviário Verde, o título de 20 euros por mês que até agora parava à porta da Área Metropolitana. A mudança, anunciada pelo Governo em agosto e confirmada no sábado, é simples de explicar e difícil de generalizar: quem faz o percurso todo de comboio pode poupar metade do que paga; quem precisa de metro ou de autocarro para chegar ao destino não muda nada.
O exemplo que o próprio Governo usa é o de quem vive em Famalicão e trabalha na Baixa, junto a São Bento. Até agora precisava de dois títulos, o Andante de 40 euros para o troço metropolitano e o Passe Ferroviário Verde de 20 para o resto, ou seja, 60 euros por mês. Passa a poder viajar só com o passe de 20. A conta dá 480 euros por ano. E ao fim de semana, com o mesmo título, chega a Aveiro sem pagar mais.
A regra de ouro é esta: o passe de 20 euros vale em todos os comboios da CP, incluindo agora os urbanos, os regionais e o Intercidades em segunda classe, com reserva gratuita; fica de fora só o Alfa Pendular. O que o passe não é, e continua a não ser, é um título intermodal. Não serve no Metro do Porto, na STCP ou em qualquer outro operador do Andante. Quem chega de comboio a Campanhã ou a São Bento e depois apanha o metro para a Boavista ou o autocarro para a Foz continua a precisar do Andante, e nesse caso o Passe Ferroviário Verde só faz sentido se, mesmo assim, ficar mais barato do que a soma dos títulos que já usa.
Para quem só usa comboio dentro da área metropolitana, entre a cidade e Ermesinde, Valongo, Vila Nova de Gaia, Espinho, Maia ou Trofa, por exemplo, a comparação é direta: 20 euros contra o Andante de duas ou três zonas que hoje paga. Para quem vem de fora da área metropolitana e precisa de dois títulos, a poupança é maior. Para quem combina comboio com metro ou autocarro, o passe ferroviário deixa de ser a resposta.
Há um pormenor a ter em conta antes de correr para a bilheteira. Na noite de sábado, a página oficial da CP sobre o Passe Ferroviário Verde ainda dizia que não era permitida a utilização dos comboios urbanos nos troços abrangidos pelo Andante e pelo Navegante, uma frase escrita antes do alargamento. A regra nova entrou em vigor no domingo por decreto-lei promulgado e publicado, segundo o Ministério das Infraestruturas; a atualização das páginas e dos sistemas de venda é tarefa da CP. Quem tiver dúvidas no primeiro dia deve perguntar no balcão, com a notícia oficial do Governo à mão.
Na prática: o passe carrega-se no Cartão CP, para 30, 60 ou 90 dias, e compra-se em qualquer dia; há também versão digital através do gov.pt, com Chave Móvel Digital. Desde outubro de 2024, quando foi criado, já foram vendidos 1,4 milhões destes passes. O Governo estima que o alargamento aos urbanos de Lisboa e do Porto lhe custe cerca de 1,5 milhões de euros por ano em compensações à CP e à Fertagus, que será o próximo operador a entrar.
Onde e quando: Passe Ferroviário Verde, 20 euros por 30 dias, válido desde 27 de setembro em todos os comboios da CP, incluindo os urbanos do Porto que servem São Bento, Campanhã e Contumil. Não serve no metro nem nos autocarros. Informação oficial em cp.pt e portugal.gov.pt.