A região Norte captou 111 milhões de euros em investimento hoteleiro no primeiro semestre de 2026, incluindo a compra do InterContinental Porto, enquanto o setor do turismo continua a crescer acima da média nacional em hóspedes e receitas. Os dados foram divulgados na última semana por consultoras imobiliárias e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
O turismo no Porto e Norte de Portugal atravessa um período de forte dinamismo, confirmado por dois estudos divulgados nos últimos dias: o relatório "Tourism Portugal Spotlight H1 2026", da consultora Savills, e os dados preliminares de atividade turística do INE. Em conjunto, os números mostram uma região que atrai cada vez mais investidores, hóspedes e receita, mesmo num contexto em que a procura estrangeira abranda a nível nacional.
Segundo a Savills, o investimento em hotelaria em Portugal ultrapassou os 500 milhões de euros no primeiro semestre do ano, um crescimento de 54% face ao período homólogo. A região Norte foi a segunda mais procurada pelos investidores, captando 111 milhões de euros, o equivalente a 22% do total nacional, atrás apenas da Grande Lisboa. O negócio mais relevante na região foi a compra do InterContinental Porto, uma das três operações que, no seu conjunto, representaram 68% de todo o investimento hoteleiro do semestre em Portugal.
Capital estrangeiro domina o investimento
De acordo com Alexandra Portugal Gomes, Head of Research da Savills Portugal, o país fechou "meio ano de investimento hoteleiro acima do total de 2025, com 95,6% do capital de origem estrangeira". Reino Unido, França e Espanha lideram os investimentos no setor hoteleiro português, que, num período alargado de 18 meses, já ultrapassou os mil milhões de euros em transações.
Já no primeiro semestre de 2026, o número de hóspedes no alojamento turístico nacional cresceu 2,4%, um ritmo mais acelerado do que o das dormidas, que aumentaram 1,5%, totalizando 28,74 milhões. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) subiu 1,3% a nível nacional, para 63,9 euros, ainda que tenha recuado ligeiramente no Norte (-1,1%, para 35,8 euros).
Crescimento sustentado pelo turismo interno
Os dados mais recentes do INE, referentes a junho, confirmam esta tendência de expansão na região. O Norte registou o maior crescimento de dormidas do país nesse mês, com uma subida de 4,8%, impulsionada sobretudo pelos residentes portugueses, cujas dormidas na região aumentaram 9,2%. A procura de turistas estrangeiros também cresceu 2,6% no Norte, uma exceção num mês em que a maioria das regiões portuguesas registou quebras na procura internacional.
O município do Porto acompanhou este crescimento, com 633,2 mil dormidas em junho, mais 2,4% do que há um ano, muito por via do turismo interno, que aumentou 14,4%. A cidade ficou apenas atrás de Lisboa e Albufeira na lista dos municípios com mais dormidas do país.
Receitas em alta apesar da menor ocupação
Ao nível nacional, os proveitos totais do alojamento turístico atingiram 786,6 milhões de euros em junho, mais 4,7% em termos homólogos, com o Norte a representar 15,6% desse valor. Apesar do crescimento das receitas e do investimento, a taxa de ocupação nacional recuou 1,1 pontos percentuais no semestre, para 58,7%, sinal de que a expansão da oferta hoteleira tem acompanhado, e nalguns casos superado, o crescimento da procura.
Para os investidores, o sinal é claro: segundo Pedro Simões, Senior Consultant da Savills, o primeiro semestre de 2026 "dá sinais de mudança, com a chegada ao mercado de produto de escala verdadeiramente institucional", reforçando a confiança no potencial de crescimento turístico do Porto e do Norte de Portugal.