Uma iniciativa cívica quer tirar do esquecimento a Exposição Colonial Portuguesa de 1934, realizada no Palácio de Cristal. A petição pede placas informativas nos jardins e a dignificação da sepultura de Papé, um jovem guineense que morreu durante o evento.
Os Jardins do Palácio de Cristal são hoje um espaço de lazer e cultura, mas também foram palco, em 1934, da Primeira Exposição Colonial Portuguesa, um evento de propaganda do Estado Novo. Segundo os promotores de uma nova petição cívica, 324 pessoas oriundas de territórios coloniais foram ali expostas em condições desumanizantes. A Iniciativa Cívica pela Memória Colonial do Palácio lançou uma petição que pede que oepisódio seja assina lado no espaço público. O documento propõe uma placa permanente à entrada dos Jardins do Palácio de Cristal e painéis informativos nos locais onde funcionaram as representações então designadas “aldeias indígenas”. Investigadores e promotores da iniciativa usam a expressão “zoológicos humanos” para caracterizar estas exibições.
As propostas vão além dos jardins. A petição pede uma placa de contextualização junto do Monumento ao Esforço Colonizador, na Praça do Império, estabelecendo a ligação à exposição de 1934. Pede também a dignificação da sepultura de Papé, identificado pelos promotores como um jovem guineense que morreu durante o evento e foi sepultado no Cemitério de Agramonte sem uma identificação adequada.
A iniciativa reúne investigadores, antropólogos e coletivos antirracistas. Segundo a informação recolhida pelo Gerador, o município marcou uma reunião com os promotores para 25 de agosto, para ouvir as propostas e a reflexão em curso. A reunião poderá esclarecer qual será o seguimento institucional de uma petição que procura transformar um episódio pouco assinalado da história local numa memória visível no presente.